Editado pela Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República. Nº 302 - Brasília, 25 de abril de 2005.
Pesquisa com células-tronco mostra avanço do trabalho científico no país
Na semana em que o CNPq comemorou 54 anos, a sociedade recebeu a
notícia de que o Governo Federal irá investir R$ 11 milhões em
pesquisas com células-tronco adultas e embrionárias. O anúncio foi
feito pelos ministros da Saúde, Humberto Costa, e Eduardo Campos, da
Ciência e Tecnologia, na solenidade de lançamento do edital do CNPq
que selecionará projetos de pesquisas básicas, pré-clínicas e clínicas
relacionadas ao desenvolvimento de procedimentos terapêuticos
inovadores em terapia celular. O uso de células-tronco embrionárias
foi possível graças à aprovação da Lei de Biossegurança em março deste ano.
O MCT vem investindo em pesquisas nessa área há alguns anos. A
primeira ação, em 2001, visou à capacitação do país, em C&T, para
introduzir e desenvolver uma nova área médica, a Medicina
Regenerativa, que trata pacientes com doenças crônico-degenerativas e
traumáticas com terapias celulares e teciduais. Foram investidos mais
de R$ 4 milhões. Desde então, foram lançados vários editais pelas
agências de fomento - CNPq e FINEP - para transferir recursos para
pesquisas em terapia celular. No ano passado foram investidos um total
de R$ 57 milhões em C&T e a previsão é de que o esse valor chegue a R$ 80 milhões este ano.
O edital, cujos recursos são provenientes, metade do Fundo Setorial de
Biotecnologia (CT-Bio), e metade da Secretaria de Ciência e Tecnologia
e Insumos Estratégicos do MS, está disponível na página do CNPq e as
propostas poderão ser feitas até o dia 04/06/2005. Os estudos devem se
desenvolver no período de dois anos e os recursos serão liberados em
duas parcelas - a primeira este ano e a segunda em 2006.
O CNPq
O CNPq, instituição vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia,
foi criado em 15 de janeiro de 1951. Contribui diretamente para a
formação de pesquisadores (mestres, doutores e especialistas em várias
áreas de conhecimento) e é hoje uma das maiores e mais sólidas
estruturas públicas de apoio à Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I)
dos países em desenvolvimento.
Ao longo de sua existência, apresenta como resultado de seus investimentos a formação de aproximadamente 30 mil doutores e 85 mil mestres. Considerando que o Brasil conta hoje com cerca de 60 mil
doutores em atividade, percebe-se o quanto a instituição tem sido
importante para a formação de competências no país.
Desde 2003, o CNPq tem se voltado para novos desafios, com ênfase na articulação do desenvolvimento de C&T com a política industrial, a
ampliação da base instalada em C&T, a promoção do desenvolvimento
científico e a popularização da ciência. Tem papel importante nessas
linhas os editais lançados pelo CNPq com recursos dos Fundos Setoriais
- R$ 80 milhões em 2003 e mais de R$ 100 milhões em 2004 e 2005.
Para 2005, os recursos do Tesouro para o CNPq são da ordem de R$ 738 milhões, assim distribuídos: Bolsas: R$ 546 milhões; Fomento: R$ 118 milhões e Administração: R$ 74 milhões. O CNPq tem se empenhado em
firmar parcerias como forma de ampliar os recursos para C&T,
principalmente com as Fundações de Amparo à Pesquisa dos Estados
(FAPs). Destaca-se o programa inovador de jovens pesquisadores, no
apoio aos primeiros projetos, (Programa Primeiro Projeto - PPP). Já
são mais de 1.180 projetos aprovados no valor global de 37,6 milhões
de recursos alocados. O lançamento deste programa é uma das principais ações desenvolvidas no âmbito do fomento à pesquisa no CNPq em 2003. Implementado em parceria com as FAPs dos Estados, são concedidas recursos para jovens pesquisadores. Cada pesquisador recebe cerca de R$ 26 mil por ano, metade pago pelo CNPq e metade pelas FAPs para utilização em gastos com pesquisa.
Há ainda o programa indutor de desenvolvimento científico regional, em
que foram assinados 419 convênios com os Estados. Por meio desses
convênios com os Estados das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste,
são concedidas bolsas de Desenvolvimento Científico Regional para
apoiar projetos vinculados às instituições de pesquisas regionais que
têm carência de pesquisadores qualificados. O CNPq concede a bolsa e a entidade estadual financia o projeto de pesquisa.
Outra parceria com as FAPs envolve o novo PRONEX (Programa de apoio a Núcleos de Excelência), em 2003/2004 - O PRONEX vem sendo um dos mais importantes instrumentos utilizados pelo CNPq para financiar a melhoria das condições físicas e laboratoriais dos núcleos de
excelência existentes no País. Na operacionalização do novo PRONEX, o
CNPq assina convênios com as FAPs, responsáveis pelo lançamento dos editais para submissão de propostas. Os Estados entram com o mesmo montante, dobrando os recursos iniciais. Até 2002, o PRONEX era financiado apenas pelo CNPq.
E há, ainda junto com as FAPs, a parceria criada em 2003 envolvendo o
programa de Iniciação Científica Júnior que, além de ser um programa
de inclusão social, tem inspirado no ensino médio novas vocações para
a pesquisa. O crescimento na aplicação de recursos financeiros para
essas parcerias é significativo. Já são mais de quatro mil bolsas
destinadas a alunos de escola pública do ensino médio, que terão seu
primeiro contato com a ciência freqüentando os laboratórios das
universidades.
Merece também destaque em 2004 o lançamento pelo CNPq do Programa "Casadinho", assim chamado porque integra grupos de pesquisa vinculados a programas de pós-graduação não consolidados localizados nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e grupos e pesquisa de qualquer região do país associados a programas de pós-graduação consolidados. O CNPq já destinou R$ 30 milhões a grupos de pesquisa de todas as grandes áreas do conhecimento: Agrárias, Biológicas, Saúde, Exatas e da Terra, entre outras.

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