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Fórum de discussões :: Distúrbios de Pânico & TEPT

Este fórum possibilita aos usuários trocar idéias sobre as definições, causas e os métodos de tratamento dos distúrbios do pânico e do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

anfetamina e síndrome do pânico Imprimir mensagem

enviado por Anônimo em 06/6/2005 14:56:40
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Olá Tenho síndrome do pânico e tomei Rivotril e Fluoxetina durante 7 anos. Há 10 meses descobri que estava grávida e interrompi o uso dos remédios. Passei por uma crise terrível de abstinência mas, após 15 dias, melhorei. Desde então,nao tive mais crises de panico, mesmo sem os remédios. Entretanto, engordei muito durante a gestação. Hoje estou com 96 quilos, profudamente deprimida por tudo isso. Fui à endocrinologista e estou aguardando consulta com o neurologista para saber da possibilidade de tomar anfetaminas para iniciar o tratamento de emagrecimento. Gostaria de saber sua opinião: SEI QUE O USO DE ANFETAMINAS NAO É MUITO INDICADO PARA PESSOAS COMO EU, MAS SERÁ QUE NAO EXISTEM MEDICAMENTOS QUE POSSAM INIBIR POSSÍVEIS CRISES DE PANICO DESENCADEADAS PELO USO DO FEMPROPOREX, POR EXEMPLO? QUE SOLUÇÃO VC ME SUGERIRIA PARA NAO ME TIRAR A ESPERANÇA DE TOMAR OS REMÉDIOS INIBIDORES DE APETITE?

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RE: anfetamina e síndrome do pânico Imprimir mensagem

enviado por ALESSANDRO em 13/1/2006 17:23:38

Bom, primeiro vamos esclarecer uma questão: como portadora de síndrome do pânico, a prescrição de derivados anfetamínicos para o seu caso deve ser muito criteriosa. Talvez até mesmo duplamente contra-indicada. Veja bem, o objetivo da medicação que até pouco tempo você utilizava (rivotril e fluoxetina) era exatamente conter a crises de ansiedade e pânico (nessa ordem) pela diminuição geral da neurotransmissão central (diminuição da atividade neuronal) e aumento dos níveis de serotonina no cérebro. Como resultado do primeiro efeito você poderia se sentir mais relaxada e apta a fazer coisas que normalmente não faria (quando ansiosa, p. ex). Por sua vez o efeito comportamental da fluoxetina seria uma sensação geral de ânimo elevado e diminuição da depressão (aumento da perspectiva perante a vida). A fluexetina é efetiva no tratamento do pânico porque parece haver uma relação dos níveis de serotonina em certas regiões do cérebro e as sensações de medo. Assim, o aumento dos níveis serotoninérgicos diminuiriam as crises de pânico e vice-versa. Ao parar de utilizar esses medicamentos você começou a sentir a crise de retirada do rivotril que é caracterizada pelos efeitos opostos ao do medicamento (ansiedade exagerada, inquietação, nervosismo...). A depressão a que você se refere estar sentido atualmente provavelmente é decorrência da retirada da fluoxetina cujos efeitos levam por volta de 3 semanas para cessarem. Note que isso não caracteriza uma abstinência a fluoxetina mas apenas o retorno para níveis anteriores da concentração de serotonina cerebral. Embora você não tenha mais as crises, mesmo sem a medicação, é provável que esses sejam "efeitos colaterais", por assim dizer, da retirada. Talvez esses sintomas fossem melhor trabalhados com uma psicoterapia breve ao invés de se ter que voltar a medicação. Da mesma forma a falta de controle no apetite pode ser um sintoma de fundo ansioso. As anfetaminas de um modo geral aumentam a neurotransmissão serotoninérgica e dopaminérgica (que produzem o efeito euforizante da droga) e noradrenérgica (relacionada à diminuição do apetite) do cérebro. Assim, o efeito dessas drogas no aumento da ansiedade generalizada faz com que possam ter grande participação indireta no despertar de novas crises de pânico. O risco é muito grande. Além do mais, a prescrição de derivados anfetamínicos e benzodiazepínicos (caso do rivotril) é desaconselhada. Assim tome cuidado com essas associações. Associar fluoxetina com afetamínicos é pouco efetivo. Só serve para acentuar sintomas colaterais como palpitações, aumento da freqüência cardíaca e pressão arterial, insônia...Se sua preocupação é apenas perder peso sugiro uma reeducação alimentar e a manutenção de atividades físicas regulares. Talvez uma psicoterapia também fosse recomendada para se trabalhar as emoções. De qualquer forma converse com seu médico e não tome ou deixe de tomar nenhuma medicação sem seu conhecimento. Estou a sua disposição para quaisquer outros esclarecimentos. Felicidades.


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Alessandro Fazolo
Psicólogo



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