Bom, primeiro vamos esclarecer uma questão: como portadora de síndrome do pânico, a prescrição de derivados anfetamínicos para o seu caso deve ser muito criteriosa. Talvez até mesmo duplamente contra-indicada. Veja bem, o objetivo da medicação que até pouco tempo você utilizava (rivotril e fluoxetina) era exatamente conter a crises de ansiedade e pânico (nessa ordem) pela diminuição geral da neurotransmissão central (diminuição da atividade neuronal) e aumento dos níveis de serotonina no cérebro. Como resultado do primeiro efeito você poderia se sentir mais relaxada e apta a fazer coisas que normalmente não faria (quando ansiosa, p. ex). Por sua vez o efeito comportamental da fluoxetina seria uma sensação geral de ânimo elevado e diminuição da depressão (aumento da perspectiva perante a vida). A fluexetina é efetiva no tratamento do pânico porque parece haver uma relação dos níveis de serotonina em certas regiões do cérebro e as sensações de medo. Assim, o aumento dos níveis serotoninérgicos diminuiriam as crises de pânico e vice-versa. Ao parar de utilizar esses medicamentos você começou a sentir a crise de retirada do rivotril que é caracterizada pelos efeitos opostos ao do medicamento (ansiedade exagerada, inquietação, nervosismo...). A depressão a que você se refere estar sentido atualmente provavelmente é decorrência da retirada da fluoxetina cujos efeitos levam por volta de 3 semanas para cessarem. Note que isso não caracteriza uma abstinência a fluoxetina mas apenas o retorno para níveis anteriores da concentração de serotonina cerebral. Embora você não tenha mais as crises, mesmo sem a medicação, é provável que esses sejam "efeitos colaterais", por assim dizer, da retirada. Talvez esses sintomas fossem melhor trabalhados com uma psicoterapia breve ao invés de se ter que voltar a medicação. Da mesma forma a falta de controle no apetite pode ser um sintoma de fundo ansioso. As anfetaminas de um modo geral aumentam a neurotransmissão serotoninérgica e dopaminérgica (que produzem o efeito euforizante da droga) e noradrenérgica (relacionada à diminuição do apetite) do cérebro. Assim, o efeito dessas drogas no aumento da ansiedade generalizada faz com que possam ter grande participação indireta no despertar de novas crises de pânico. O risco é muito grande. Além do mais, a prescrição de derivados anfetamínicos e benzodiazepínicos (caso do rivotril) é desaconselhada. Assim tome cuidado com essas associações. Associar fluoxetina com afetamínicos é pouco efetivo. Só serve para acentuar sintomas colaterais como palpitações, aumento da freqüência cardíaca e pressão arterial, insônia...Se sua preocupação é apenas perder peso sugiro uma reeducação alimentar e a manutenção de atividades físicas regulares. Talvez uma psicoterapia também fosse recomendada para se trabalhar as emoções. De qualquer forma converse com seu médico e não tome ou deixe de tomar nenhuma medicação sem seu conhecimento. Estou a sua disposição para quaisquer outros esclarecimentos. Felicidades.
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Alessandro Fazolo
Psicólogo
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