DÉFICITS DE MEMÓRIA E DEPRESSÃO APÓS CHOQUE GLICEMICO
enviado por ANÔNIMO
em 04/10/2007 15:48:29
Tenho uma irmã, médica ginecologista, que entrou em coma por hipoglicemia (não é diabética), ficou com sequelas neurologicas, muito embora o exame de tomografia não mostre claramente a área afetada. Existe a suspeita de que a mesma tenha tentado o suícidio com insulina injetável, mas é fato que não pode ser afirmado, pois não achamos nada provando essa suspeita. hoje a mesma se encontra em um quadro aparente de catatonia, com memória afetada, reconhece as pessoas,mantém uma conversa, mas logo esquece, tem depressão profunda. os médicos consultados não definem se o quadro é permanente ou não. gostaria de saber como posso ajudar, se é que posso.
RE: DÉFICITS DE MEMÓRIA E DEPRESSÃO APÓS CHOQUE GLICEMICO
enviado por ALESSANDRO
em 5/10/2007 10:15:06

Seqüelas neurológicas requerem um trabalho de reabilitação, mesmo em se tratando de reabilitação de aspectos cognitivos, como é o caso da memória. No entanto, primeiramente será necessário avaliar especificamente que danos cognitivos foram causados para que o trabalho de reabilitação seja mais focado. Por exemplo, existem vários aspectos da memória que devem ser verificados (memória de curta e longa duração, anterógrada ou retrógrada, memória para rostos, lugares, memória verbal, etc.). Outra coisa que deve ser considerada é que a depressão persistente pode indicar lesão do hipocampo, uma das áreas do cérebro responsável pela memória e pelo reconhecimento contextual (lugares e eventos). Assim a perda de memória e a depressão podem estar refletindo a perda de função de uma mesma área do cérebro. Outra possibilidade é que a depressão por si só produz uma lentificação dos processos cognitivos e perda da capacidade de evocação de conteúdos da memória. Então, é preciso avaliar se 1) a depressão e a perda de memória são efeitos de uma mesma causa (a lesão neurológica), 2) a perda de memória é decorrência secundária da depressão ou 3) se a depressão por si só é efeito da lesão ou um reflexo subjetivo da condição (dependência, limitação das capacidades produtivas, etc) surgidas após a lesão. Tudo isso deverá ser verificado com mais certeza. Minha recomendação a você é que procure consultar um neuropsicólogo. Diferentemente de um exame por neuroimagem, como a tomografia, por exemplo, que avalia apenas a extensão do dano anatômico, uma avaliação neuropsicológica dará indícios adicionais de quais funções (memória, atenção, volição, linguagem, etc.) foram perdidas e/ou comprometidas e qual seria a previsão ou possibilidade de recuperação (prognóstico) para tais comprometimentos. Somente a partir desta avaliação, o neuropsicólogo poderá estabelecer os procedimentos de reabilitação mais indicados para a sua irmã. A reabilitação de aspectos cognitivos depende muito do nível de engajamento do paciente e é mais satisfatória quando aplicada em locais e situações nos quais o paciente está mais habituado e tem maior convivência, pois depende muito de uma rotina pré-estabelecida. Desta forma, a família é imprescindível, pois tem um papel importante no estabelecimento de uma rotina de reabilitação. E você, como irmão, certamente terá muito a contribuir.
Para maiores informações sobre como lidar com pacientes com problemas de memória, vocês poderão consultar o seguite link:
http://www.einstein.br/psicologia/Geral/html/saiba_memoria.htm
----
ALESSANDRO FAZOLO CEZARIO
Psicologia