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Grande parte do que a neurociência estuda hoje em dia são fenômenos que a psicanálise, à sua maneira, procurou estudar e explicar um dia. Conceitos como consciência, inconsciência, sonhos, os processos de tomada de decisão, instintos (pulsões) ligados à sobrevivência, etc., hoje possuem suas bases biológicas relativamente bem descritas e conhecidas e são fenômenos pelos quais as neurociências se interessam muito. Mas o que pode parecer hoje uma aproximação de interesses, nem sempre foi assim.
No seu início, a neurologia, a biologia e a medicina serviram de base para a construção da psicanálise. Basta lembrarmos que o termo “instinto” é emprestado da biologia. Devemos lembrar também que Freud era neurologista e da grande influência que teve, no início de sua carreira, de Jean-Martin Charcot e seus estudos sobre a etiologia neurológica da histeria, quadro com qual Freud se defrontou ao longo de toda a sua carreira.
Entretanto, não interessava a Freud esse diálogo com sua origem médica. Para ele uma teoria do comportamento e que aludisse aos aspectos inconscientes ligados a ele, deveria fundar um campo de conhecimento totalmente novo e buscar se aproximar mais da filosofia e da psicologia do que das ciências biológicas. Assim, Freud precisou de muito esforço para operar uma ruptura da psicanálise com suas origens conceituais. Conseguiu!
Em paralelo, a medicina, a psiquiatria e a neurologia seguiram seus próprios caminhos e negligenciaram essa espécie de filha ingrata que, com seu conhecimento advindo da especulação teórica, não mais cabia no campo científico tradicional. Entretanto, devido aos grandes avanços da neurociência nas últimas décadas e mesmo apesar do aparente cansaço de alguns postulados originais de Freud, embora reinterpretados por alguns de seus mais recentes seguidores, que muitas vezes batiam de frente com as concepções científica em vigor, alguns contatos timidamente começaram a se insinuar entre neurociência e psicanálise. Seguem abaixo, alguns exemplos que evidenciam esta aproximação.
Atualmente com as modernas técnicas de neuroimagem, podemos ver como o cérebro funciona quando um indivíduo sonha e concebermos a base biológica para esse fenômeno tão importante para a teoria psicanalítica. Hoje, podemos dizer com embasamento neurocientífico que os sonhos contêm restos diurnos porque sabemos que eles lidam com informações da memória de trabalho que foram obtidas durante as horas anteriores de vigília. Além disso, o sono REM (estágio do sono e que sonhamos histórias) é um estágio de consolidação e armazenamento de informações diurnas, pois possui intensa atividade cortical intrínseca e sofre poucas influências externas. Provavelmente neste estágio do sono que o cérebro está organizando as informações assimiladas durante o dia. Estudos neurofisiológicos do cérebro durante o sonho demonstram, ainda, que há diminuição da atividade do córtex pré-frontal e aumento da ativação dos córtices sensoriais de associação. Este fato denota a ausência do controle executivo das percepções (função da primeira área) e o intenso processamento de informações sensoriais (função da última área) o que justificaria a ausência de coerência da narrativa onírica. Adicionalmente, a afirmação freudiana de que “sonhos são a satisfação de desejos inconscientes” possui respaldo na afirmação, plausível para os neurocientistas e behavioristas, de que os sonhos são capazes de organizar fragmentos de memórias de forma a simular expectativas futuras de recompensa e punição, que são mediadas pela dopamina.
Graças também às neurociências, hoje conhecemos bem o papel da amígdala e do hipocampo nas memórias explícitas e emocionais (implícitas), respectivamente, e entender um pouco como agem as áreas cerebrais responsáveis por fenômenos conscientes e inconscientes. Alguns estudos neurofisiológicos mostram que o córtex pré-frontal (sede dos processos de tomada de decisão e planejamento das ações e da atenção voluntária) controla a supressão atencional de memórias por meio da desativação do hipocampo e da amídala. Isso explicaria porque pensamentos e emoções indesejadas podem ser reprimidos, se tornar inconscientes e influenciar a conduta de forma determinante.
Num estudo neurofisiológico, publicado em 2003 e controlado por ressonância magnética funcional, foram mostradas imagens embaralhadas ao olho dominante de um paciente e imagens claras de um objeto ao olho não dominante durante frações de segundo, e em seguida fundiam-se as imagens, obtendo algo embaralhado com um objeto no meio, e o resultado era que o paciente não tomava consciência de que vira o objeto. O experimento se vale de um fenômeno chamado rivalidade binocular. É uma maneira de você fazer uma estimulação sensorial invisível. O objeto é visto, mas não de maneira consciente.
Noutro estudo, técnicas de ressonância magnética foram capazes de detectar ativação específica da via visual dorsal (responsável por detecção de imagens móveis) quando eram apresentados a um sujeito, de maneira muito rápida, imagens em movimento (p. ex., ferramentas); enquanto imagens paradas (p. ex., rostos) ativavam muito mais frequentemente a via visual ventral (responsável pela percepção de imagens estáticas e rostos). Os indivíduos diziam não ter visto as imagens, mas a ressonância indicou que seu cérebro foi corretamente ativado pelas imagens apresentadas. Tais estudos dão indícios que a percepção inconsciente (um fenômeno descrito por Freud) pode ser comprovada cientificamente e suscitar aí uma aproximação teórico-metodológica entre a psicanálise e as neurociências.
Além do mais, não podemos dizer que Freud foi de todo contrário aos efeitos biológicos sobre o inconsciente e que ele era resistente a qualquer contribuição que a biologia poderia ter sobre a teoria psicanalítica. Por exemplo, Freud escreveu num texto de 1896, intitulado “A hereditariedade na etiologia das neuroses”, que “a opinião sobre o papel etiológico da hereditariedade das doenças nervosas deve decididamente basear-se num exame estatístico imparcial e não em petições de princípio” indicando a sua opinião original de os elementos biológicos devem ser considerados na descrição dos fenômenos psicológicos que descreveu ao longo de sua vida. De fato, Freud acreditava que as mesmas causas específicas agindo num indivíduo saudável não produziam efeito patológico manifesto, ao passo que numa pessoa biologicamente predisposta provocavam a surgimento da neurose.
Todo mundo já sentiu um déjà vu. Certamente você já ouviu falar disso e, ao caminhar, fazer algo, ou simplesmente à-toa com amigos, assistindo a um filme, de repente você começa a perceber que aquela situação já foi vivida antes. Por algum motivo, você tem a certeza que já aconteceu, mas, estranhamente, não importa o quanto você se esforce, não pode prever o que vai acontecer alguns segundos depois ou mesmo saber como se iniciou aquela situação. Este tipo de fenômeno é conhecido por déjà vu, do francês "já visto". Em alguns casos, esta sensação pode ser intensa o suficiente para ser interpretada a luz de crenças fantasiosas ou irracionais. Por exemplo, no filme “Matrix”, explica-se estas situações como "falhas" no software que controla a matriz (uma espécie de software que rege a nossa suposta vida terrena) fazendo com que as pessoas vissem duas vezes a mesma coisa. Mas há uma explicação muito mais razoável, simples e plausível para este fenômeno.
Uma equipe de neurocientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) publicou um artigo que explica o mecanismo neural que pode estar por trás do fenômeno de déjà vu e que, entre outras coisas, permite-nos diferenciar lugares semelhantes, porém que diferem em algum aspecto. A equipe é liderada por Susumu Tonegawa, o mesmo que foi agraciado com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1987. Tonegawa e seus colegas acreditam que seu trabalho pode levar a novos tratamentos para distúrbios de confusão de memória, desorientação e que afetam muitos indivíduos, especialmente os idosos. Segundo o trabalho deles, parece que ao longo dos anos, o nosso cérebro sofre pequenos danos que criam problemas em distinguir entre lugares e experiências semelhantes.
Trabalhos anteriores sobre memória dão conta que a formação da memória ocorre em uma região do cérebro chamada de hipocampo. Susumu Tonegawa e seus colegas descobriram que três regiões específicas do hipocampo, chamadas de campos CA1 e CA3 e giro denteado, estão envolvidas em diferentes aspectos da aprendizagem e formação da memória. Tonegawa usou como exemplo a sensação de déjà vu que, ocasionalmente, o assalta quando está num aeroporto. De acordo com ele, o arranjo das portas, cadeiras, esteiras e outros objetos em cada aeroporto são muito semelhantes. Somente ao perceber as características originais de cada um, nosso cérebro é capaz de diferenciar um aeroporto de outro. Segundo o artigo, o giro denteado é crucial para o reconhecimento rápido e amplificação dessas pequenas diferenças que tornam um lugar único. Para testar sua teoria, os pesquisadores alteraram geneticamente camundongos para que o seu hipocampo se tornasse um pouco diferente.

Especificamente, aos ratos geneticamente modificados faltava um gene específico que leva ao desenvolvimento do giro denteado do hipocampo. Assim, bastaria comparar o comportamento dos camundongos normais com os modificados. Os autores planejaram um experimento em que dois conjuntos diferentes de camundongos, transgênicos e normais, foram colocados em dois ambientes semelhantes, mas não idênticos. Em um ambiente os animais foram submetidos a um choque elétrico, enquanto no outro não. Após vários dias de sessões de choque, os camundongos geneticamente modificados ficavam paralisados de medo em ambos os ambientes, embora em um deles nunca foram usados choques. Ou seja, estes camundongos não foram capazes de encontrar pequenas diferenças entre os ambientes e reconhecê-los. Os camundongos do grupo controle aprenderam a diferenciar rapidamente os ambientes em que levavam choques daqueles em não havia choque. Isso mostrou que os ratos geneticamente modificados tinham um déficit significativo em sua habilidade de reconhecer e distinguir dois contextos semelhantes, mas que diferiam em alguns aspectos.
Além disso, os pesquisadores foram capazes de traçar as vias de ativação cerebral eliciadas pelo reconhecimento de um lugar específico. Por exemplo, se você entra em um lugar que é semelhante o suficiente a um outro local em que já esteve antes, um novo grupo de neurônios é responsável por criar um “mapa" deste lugar. Como os lugares são muito semelhantes, o novo conjunto de neurónios parcialmente coincide com o grupo já existente e que foi ativado na ocasião de sua visita ao outro local no passado. Se ambos os conjuntos de neurônios se sobrepõem em determinadas maneiras, nós experimentamos um episódio de déjà vu. À medida que envelhecemos, ou sofremos um processo degenerativo, como o Alzheimer ou o Parkinson, o cérebro tem mais dificuldade para formar memórias únicas para cada lugar ou experiência, especialmente se eles se assemelharem. Isso resulta nas confusões comuns que afligem os idosos.
Viva Unimed-Qual a importância de se ter hábitos saudáveis (alimentação balanceada,
praticar atividades físicas, ter horários definidos para lazer e estudo)?
AF-É fundamental a busca de hábitos saudáveis para um indivíduo ter uma boa
qualidade de vida. Estes não devem ser feitos esporadicamente, mas sim com frequência.
A adoção destes hábitos saudáveis já na infância tem por objetivo a manutenção
da saúde física e psicológica do jovem e do adulto, aumentando significativamente
a qualidade de vida.
Viva Unimed-Devemos estimular esses hábitos desde a infância aos filhos?
AF-Certamente que sim. Os
comportamentos que são aprendidos na infância tem maior probabilidade de
permanecerem como traços determinantes da conduta e da personalidade dos
adultos. As crianças muito jovens, em geral antes dos seis anos de idade, não
possuem ainda a capacidade de entender, por si só, conceitos como “certo” e
“errado” ou “bom” e “ruim”. Desta forma, é importante que condutas positivas e
de bons hábitos sejam logo cedo ensinadas às crianças. Pais e professores precisam
estar atentos a isso.
Viva Unimed-A escola tem papel fundamental? Ou pais e escola, em conjunto, tem esse
dever?
AF-Uma criança passa grande
parte de seu tempo na escola e é natural que o ambiente escolar, juntamente com
os pais, forneça condições para que a criança desenvolva o seu repertório
comportamental. A escola é o meio pelo qual a criança aprende não só o conteúdo
acadêmico, mas também condutas sociais e regras de convivência que serão
importantes durante toda a sua vida. Estudos demonstram que ações educativas e
promocionais de bons hábitos quanto à saúde e as regras de convivência feitos
nas escolas são responsáveis em geral pela melhoria da qualidade de vida dos
alunos. Os professores tem papel importante neste contexto. Para isso eles
devem trabalhar de forma interdisciplinar o tema com o conteúdo do currículo
escolar.
Viva Unimed-Como os pais podem auxiliar as crianças a serem conscientes?
AF-O mais importante são os
modelos de comportamento que os pais oferecem aos filhos e o reforço às
condutas positivas das crianças. Não adianta os pais ensinarem algo para os
filhos se não fazem aquilo que ensinam. Da mesma forma, se os pais querem que
certas condutas sejam frequentes, é necessário que haja condições adequadas que
estimulem tais atitudes. É importante, p. ex., disponibilizar alimentos
saudáveis em casa para que pais estimulem os filhos ao hábito da boa
alimentação. Além disso, os pais podem incutir na criança o interesse pela
forma de fazer os alimentos para desenvolver nela o interesse pela alimentação
balanceada. O elogio também é muito importante como forma de incentivo.
Viva Unimed-Qual o perfil de crianças conscientes?
AF-As crianças são desde
cedo questionadores natos. De um modo geral aprendem logo a perguntarem sobre
aquilo que não querem ou não gostam de fazer com o objetivo de buscar
justificativas para suas atitudes. Perguntas do tipo “porque eu tenho que comer
isso se eu não gosto?” ou “porque eu preciso ir para a escola?” demonstram que
as crianças estão sempre buscando razões para entender as imposições sociais e
porque isso às vezes se contrapõe ao seu desejo. As crianças conscientes
percebem rápido que nem sempre o desejo pessoal dela deve prevalecer, pois
disso depende um bem maior que nem sempre é obtido no curto prazo. Ou seja,
arrumar o quarto, ter uma alimentação saudável ou ter boas notas trazem
resultados no médio e longo prazo não só para elas, mas também para as pessoas
ao seu redor. Elas aprendem logo a importância de cultivar o bem comum ao invés
de somente satisfazer o seu desejo.
Viva Unimed-Qual a dica para fazer o filho arrumar o quarto, por exemplo? A melhor
forma seria o diálogo desde cedo?
AF-Para crianças muito pequenas o diálogo apenas,
embora importante, é insuficiente. Crianças muito jovens têm dificuldades de
memorizar ordens faladas, mas são muito boas para repetirem atitudes que veem. Assim,
é necessário que as atitudes sejam ensinadas com o modelo. Por exemplo, os pais
fazem e mostram como fazer e depois pedem os filhos para repetirem o que
aprenderam. É importante também que as crianças maiores sejam estimuladas a
ensinar aquilo que aprenderam aos irmãos mais novos. Isso cria um ambiente
propício à reprodução de hábitos desejáveis.




O material listado abaixo está disponível na web e é composto pela coletânea de programas que poderão ser úteis para os psicólogos.
A Torre de Hanoi - Jean Piaget
Jogo de origem oriental cujo objetivo é deslocar uma série de discos com o menor número de movimentos possível.
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Anxiety Diary 1.0
Sistema eletrônico destinado a manter um diário de saúde mental da pessoa. Pode ser usado para registar eventos diários, compromissos, monitorizar a terapia, manter um registo da medicação e observar o processo de recuperação.
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Cadastro de clientes ( Ricardo C. Zímmerl ) 2.2
Software prático e facilmente adaptável às suas necessidades. Pode armazenar grande quantidade de fichas de clientes na sua base de dados.
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CESD-R Depression Screening 1.1
Programa de avaliação da depressão, com cotação baseada no DSM-IV e apresentação gráfica do diagnóstico.
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CIC - Controle Integrado p/ Consultório Professional
Com o CIC tem disponível o histórico de todos os atendimentos, agenda com calendário, relatórios, etc.
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Dr. Abuse
Programa de Inteligência Artificial - robot com quem se pode manter uma conversa ou mesmo fazer terapia (atenção: não substitui um terapeuta).
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Insight
Programa de gestão de consultas psicológicas, bem como da própria clínica. Seções: tarefas administrativas, gestão de pacientes, contabilidade e ferramentas
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Microsoft OneNote - Tutorial
Um programa extremamente útil que lhe permite substituir o seu bloco de notas e organizar a sua informação, seja você um estudante ou um profissional.
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Microsoft OneNote 2003 - Trial Version
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OpenStat
Programa de análise de dados estatísticos de especial interesse para estudantes e profissionais das ciências sociais e psicologia
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Phobias
Coleção para conhecer as fobias e suas causas.
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Preventing Migraine Headaches, Depression, Insomnia, and Bipolar Syndrome 2003
Guia para prevenção de dores de cabeça, depressão, insônia e trantorno bipolar.
idioma: Inglês
tamanho do programa: 19 KB
Psych/Lab
O software Psych/Lab (TM) permite acessar versões de experimentos clássicos da Psicologia Experimental e Cognitiva
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Contém citações de Freud, Adler, Jung etc ...
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This and That on Psychology
Coleção de fatos interessantes sobre a psicologia humana.
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